Já tenho as "valises" prontas

Vou de férias durante uns dias, como sempre cheia de tralha e com uma música que não me sai da cabeça, "Bucky done gone" da gaja aqui de cima, que eu acho o máximo.
Escuta, escuta: tenho ainda uma coisa a dizer. Não é importante, eu sei, não vai salvar o mundo, não mudará a vida de ninguém (...)Escuta-me, não te demoro. É coisa pouca, como a chuvinha que vem vindo devagar. São três, quatro palavras, pouco mais. Palavras que te quero confiar, para que não se extinga o seu lume, o seu lume breve. Palavras que muito amei, que talvez ame ainda. Elas são a casa, o sal da língua. Eugénio de Andrade
Estava eu a fazer a minha cama, tendo a televisão ligada num desses canais que transmitem programas maravilhosamente pirosos logo pela manhã, quando num dos intervalos de 726 minutos ouço o anúncio aos Greatest Hits do Grande Toto Cutugno. Eu bem sabia que tantas horas de piroseira matinal haveriam de servir um dia para alguma coisa.
Na verdade, eu não conheço muito do Toto Cutugno .... pronto, eu assumo ... só conheço uma música o "L'italiano", mas para mim basta, porque me traz recordações maravilhosas das idas para faculdade com a minha amiga Susani.
Não sei bem como começou, nem o porquê, mas numa das manhãs comecei a cantar com voz rouca o L'italiano, ficando toda a carruagem a rir, e sobretudo nós as duas, com as lágrimas a escorrer face abaixo,
Às vezes ele chegava ao café, pedia-me uma bica escaldada e sorria assim desta maneira para mim.
E eu toda derretida dizia "Ai Marlon Marlon és tão bom!"
E quando ia a sair mandava-lhe logo outro piropo para que não se esquecesse de mim durante o caminho até às obras no estaleiro "Oh Marlon deixas-me sempre em lume Brando!"